Aligot: Receita do clássico purê de batatas com queijo da culinária francesa
Publicado em 4 de fevereiro de 2023 · revisado em 15 de outubro de 2026
Aligot é o purê de batata com queijo que estica em fios longos, prato típico do planalto de Aubrac, entre a Auvergne e o Aveyron, no centro-sul da França. A receita tradicional leva tome fraîche, queijo fresco da região; aqui mostramos o que muda com cada substituto brasileiro e como reconhecer o ponto do fio. A proporção é de 1,2 kg de batata para 600 g de queijo.
Aligot
Ingredientes
- 1,2 kg de batatas inteiras com polpa branca
- 75 g de manteiga
- 1 dente de alho
- 600 g de queijo em lâminas (emmental, gruyère ou tipo suíço)
- 4 colheres de sopa de creme de leite fresco
- Sal a gosto
Modo de preparo
- Cozinhe as batatas com pouca água e, depois de cozidas, amasse ainda quentes até ficar com consistência de purê.
- Coloque o purê em uma panela de fundo espesso, em fogo baixo, e acrescente a manteiga aos poucos, mexendo com colher de pau em movimentos de 8.
- Com a manteiga incorporada, retire a panela do fogo e junte o dente de alho amassado.
- Em banho-maria, ou voltando a panela ao fogo baixo de tempos em tempos, adicione o queijo em lâminas finas e o sal, sempre mexendo em 8 e levantando a colher para esticar o queijo até formar filamentos longos.
- Com o queijo incorporado, junte o creme de leite fresco e continue mexendo e levantando a colher por 10 a 15 minutos.
- Sirva bem quente, de preferência na própria panela.
Aligot, o clássico purê de batatas com queijo da culinária francesa que combina purê de batatas com uma exagerada quantidade de queijo é uma receita bastante simples de fazer com poucos ingredientes.
Segundo a tradição, a receita original, feita com pão, era servida aos peregrinos do caminho de Santiago de Compostela pelos monges de Aubrac, no centro-sul da França, e no século XIX o pão deu lugar à batata. Mais abaixo, em “Sobre esta receita”, separamos o que tem registro e o que é tradição.
O queijo utilizado na receita tradicional do Aligot é o Tomme fraîche, produzido em Aubrac, região central da França. Dada à dificuldade de encontrá-lo no Brasil sugerimos substituí-lo por emmental, gruyère ou tipo suíço.

A receita do Aligot
- Tipo de Preparo: Acompanhamento
- Cozinha: Francesa
- Rendimento: 8 porções
- Tempo de Preparo: 90 minutos
- Calorias: 438,55 Kcal
Ingredientes:
- 1,2 kg de batatas inteiras com polpa branca
- 75 g de manteiga
- 1 dente de alho
- 600 g de queijo em lâminas (emmental, gruyère ou tipo suíço)
- 4 colheres de sopa de creme de leite fresco
- Sal a gosto
Modo de Preparo:
Para começar cozinhe as batatas com pouca água, tipo Asterix, e depois de cozidas amasse ainda quente até ficar com a consistência de purê.
Coloque o purê em uma panela de fundo espesso e leve ao fogo baixo.
Mexa o purê com uma colher de pau e acrescente a manteiga aos poucos fazendo movimentos reproduzindo o número “8”.
- Depois de incorporar a manteiga o purê retire a panela do fogo e adicione um dente de alho amassado.
- Em seguida em banho-maria, ou voltando a panela de tempos em tempos em fogo baixo adicione o queijo em lâminas finas e o sal sempre mexendo com a colher de pau movimentando em “8” e a levantando para esticar o queijo até formarem filamentos longos.
Depois de incorporar o queijo ao purê, adicione o creme de leite fresco e continue mexendo e levantando a colher durante 10 a 15 minutos.
Sirva bem quente, de preferência na própria panela.
Uma dica importante para fazer um bom Aligot
Para não deixar o Aligot pesado o ideal é usar um queijo não muito fresco e bem macio. Nossa dica é testar o queijo antes de começar a receita: Fure um pedaço do queijo com um garfo pré-aquecido no fogo por 40 segundos e só o utilize na receita se soltar um fio sem quebrar.

Qual o nome do purê de batata com queijo que estica?
O nome é aligot, pronunciado “aligô” (em occitano, alicòt). É o purê de batata batido com queijo fresco até formar fios longos e elásticos, prato do planalto de Aubrac, que se estende por três departamentos: o Cantal, na Auvergne, e o Aveyron e a Lozère, hoje na região da Occitânia. Por isso o aligot aparece ora como prato da Auvergne, ora como prato do Aveyron: as duas atribuições estão certas, porque o planalto é um só. De lá ele se espalhou pelo Maciço Central e pela região de Toulouse.
Há duas explicações para o nome: o poeta provençal Frédéric Mistral o ligava ao latim aliquid, “alguma coisa”, e outros estudiosos ao francês antigo haligoter, rasgar em pedaços. Na região, o aligot vai à mesa quase sempre com linguiça. Não confunda com a truffade, outro prato do Cantal, de batatas salteadas com toucinho e o mesmo queijo fresco, sem virar purê, nem com o gratin dauphinois, de batatas em fatias assadas no creme.
O queijo do aligot: tome fraîche e substitutos no Brasil
O aligot tradicional leva tome fraîche de l’Aubrac, também chamada tome d’aligot: um queijo fresco de leite cru e integral de vaca, das raças Aubrac e Simmental francesa, prensado e deixado a descansar por pouco tempo, sem sal e sem afinação. É o mesmo tipo de massa que, salgada e afinada, dá os queijos Laguiole e Cantal; a tome é a etapa anterior. Aquecida, fica elástica e lisa, e é isso que faz o fio. Desde outubro de 2023 tem indicação geográfica protegida (IGP) na União Europeia, e fora da França é difícil de achar.
No Brasil, a receita acima usa emmental, gruyère ou queijo tipo suíço. Cada troca muda alguma coisa:
| Queijo | Fio | O que muda |
|---|---|---|
| Tome fraîche (França) | longo e contínuo | a referência: sabor de leite fresco, suave e levemente ácido |
| Cantal jovem ou Laguiole | mais curto | são a mesma família da tome, já salgada e maturada: mais sabor e mais sal, menos elasticidade; reduza o sal da receita |
| Emmental ou gruyère | médio | sabor de nozes, mais marcante; com fogo alto soltam gordura com facilidade |
| Muçarela | longo | estica muito, mas tem sabor neutro e fica borrachuda ao esfriar; funciona melhor misturada com um queijo de sabor |
| Gruyère com minas padrão | médio | o minas padrão suaviza o sabor do gruyère; é a mistura que o Dalva e Dito, em São Paulo, usava no seu aligot em 2022 |
Seja qual for a escolha, o teste da nossa dica vale: se o queijo soltar um fio sem quebrar no garfo quente, serve. Queijo muito curado, como parmesão ou canastra curado sozinho, não derrete liso e deixa o purê granuloso.
Qual batata usar e como deixar o purê liso
O aligot pede batata de polpa farinhenta, que desmancha fácil e absorve a manteiga e o creme. Na França, a receita divulgada pelo turismo da Occitânia usa a bintje; aqui, o nosso texto original indicava a asterix. Batata cerosa, de polpa firme, tende a dar um purê mais pesado e grudento.
- Cozinhe em água com sal, em pedaços do mesmo tamanho, até a faca entrar sem esforço. Na receita francesa, o alho vai junto na água e sai antes de amassar.
- Amasse ainda quente, com espremedor de batata ou passando por peneira. O purê frio não incorpora o queijo direito.
- Não use liquidificador nem processador: as lâminas rompem as células da batata, o amido se solta e o purê vira uma massa grudenta antes mesmo de o queijo entrar.
- Escorra bem e, se precisar soltar o purê, use um pouco da água do cozimento ou do creme, nunca muita água de uma vez.
Com o purê liso e quente, o resto é paciência com a colher de pau.
O ponto do fio: como saber que o aligot está pronto
O aligot está no ponto quando a massa fica lisa e brilhante, desgruda do fundo e das laterais da panela e, ao levantar a colher, sobe numa fita contínua que estica sem quebrar e volta para a panela devagar. Enquanto ela cair em pedaços ou deixar grumos de queijo visíveis, continue mexendo.
- Fogo baixo do começo ao fim. A receita do turismo da Occitânia pede para não passar de 70 °C e incorpora o queijo fora do fogo; acima disso a gordura se separa.
- Sempre no mesmo sentido. O movimento em 8, levantando a massa por baixo, alinha o queijo em fios; mexer em várias direções quebra o fio.
- Sal no fim. Os queijos usados no Brasil já trazem sal, e a receita francesa cozinha a batata em água com sal e só acerta o tempero quando o aligot já está fazendo fio.
- Sirva na hora. O fio depende do calor: em poucos minutos fora do fogo a massa firma e o fio encurta.
Aligot grudento, granuloso ou sem fio: os erros mais comuns
Quando o aligot não sai como deveria, a causa costuma estar em um destes pontos:
| O problema | A causa provável | Como resolver |
|---|---|---|
| Não estica | Queijo maturado demais ou duro | Use queijo jovem e macio e faça o teste do garfo quente antes de começar |
| Grudento, com textura de cola | Batata batida no liquidificador ou no processador, ou batata de polpa firme | Não tem volta completa: pare de bater, junte um pouco de creme quente e sirva logo. Na próxima, amasse a batata farinhenta no espremedor |
| Granuloso | Queijo superaquecido, queijo curado ou purê frio | Tire do fogo, junte 1 ou 2 colheres de sopa de creme quente e mexa firme no mesmo sentido até alisar |
| Solta gordura e talha | Fogo alto | Fogo bem baixo ou banho-maria; o turismo da Occitânia recomenda não passar de 70 °C |
| Fios curtos que quebram | Mexer em várias direções | Mexa sempre no mesmo sentido, em 8, levantando a massa por baixo |
| Grumos de queijo | Queijo em pedaços grossos ou purê frio | Queijo em lâminas finas, em etapas, sobre purê quente |
| Borrachudo depois de alguns minutos | Muita muçarela ou aligot que esfriou | Misture a muçarela com um queijo de sabor e sirva assim que fizer fio |
| Gosto de purê pronto | Purê em flocos | Batata cozida na hora; na França há até abaixo-assinado pedindo aos fabricantes de aligot pronto que não usem purê em flocos |
Com o que servir aligot
Na região de Aubrac, o aligot é acompanhamento de carne, e o par mais tradicional é a linguiça (saucisse) grelhada ou assada. Também acompanha bem carne bovina grelhada, e a raça Aubrac, a mesma das vacas que dão o leite do queijo, é famosa pela carne. Por aqui, vai bem com:
- linguiça toscana ou de porco, grelhada;
- bife de chorizo, picanha ou outro corte grelhado, inclusive o steak au poivre;
- pratos com molho, como o coq au vin, em que o aligot faz o papel do purê;
- assados de panela do Sudoeste francês, região que divide com o aligot a linguiça de Toulouse, também presente no cassoulet.
Como é um prato pesado, uma salada verde com vinagrete equilibra a mesa. Para beber, um tinto do Sudoeste ou do Languedoc segue a lógica de servir o vinho da região; veja mais no nosso guia de vinhos franceses. Uma curiosidade: o Larousse Gastronomique de 1997 registra até um aligot doce, regado com rum e flambado.
Aligot trufado, meia receita e sobras
O aligot trufado é a versão de restaurante: o mesmo purê com queijo, finalizado com trufa ralada na hora ou com algumas gotas de azeite trufado. Como o aroma da trufa é forte e some com o calor, ela entra só no fim, já fora do fogo.
Para fazer menos, basta manter a proporção da receita, que é de duas partes de batata para uma de queijo:
| Porções | Batata | Queijo | Manteiga | Creme de leite fresco |
|---|---|---|---|---|
| 8 | 1,2 kg | 600 g | 75 g | 4 colheres de sopa |
| 4 | 600 g | 300 g | cerca de 40 g | 2 colheres de sopa |
| 2 | 300 g | 150 g | cerca de 20 g | 1 colher de sopa |
Como prato principal, rende menos: a receita francesa do turismo da Occitânia usa 1,2 kg de batata para 4 pessoas. As sobras vão para a geladeira em pote fechado e se reaquecem em fogo baixo com um pouco de creme ou leite, mexendo; o fio volta em parte, não como no primeiro dia. Para entender de onde vem esse jeito de cozinhar, leia sobre a cuisine du terroir.
Sobre esta receita
Esta é uma receita documentada, publicada aqui em 2023 e revista em 2026. As quantidades e o método vêm do nosso texto original; a troca da tome fraîche por emmental, gruyère ou tipo suíço é a nossa adaptação para o Brasil, porque o queijo francês praticamente não chega aqui. Os substitutos não foram comparados lado a lado numa mesma cozinha: a tabela acima descreve como cada queijo costuma se comportar.
Conferimos a técnica com a receita do aligot publicada pelo turismo oficial da Occitânia, que difere da nossa em dois pontos: lá o creme entra antes do queijo, e o queijo é incorporado fora do fogo. Nas duas, o que decide é o fogo baixo. Os dados da tome fraîche (leite cru, raças Aubrac e Simmental francesa, IGP registrada pela Comissão Europeia em 23 de outubro de 2023) vêm do INAO, o instituto francês das denominações de origem.
Sobre a origem, separamos fato de lenda. A tradição conta que os monges da Dômerie d’Aubrac, hospital fundado no século XII no caminho de Santiago de Compostela, serviam aos peregrinos pão com queijo fresco, e que a batata substituiu o pão no século XIX; não há registro da época que confirme a receita dos monges. O que tem mais apoio é que o aligot era feito nos burons, as cabanas de pedra onde os buronniers, pastores e queijeiros do planalto, faziam o queijo (o INAO atribui a eles o saber-fazer da tome), e que de lá se espalhou pelo Maciço Central. É um prato de terroir no sentido mais literal: feito com o que o planalto produz.


