A Cozinha Francesa

Clássicos, chefs e história da gastronomia francesa, por Andre Raittz

Clássicos Franceses

Gratin dauphinois: a receita original das batatas gratinadas no creme

Publicado em 8 de outubro de 2026

Gratin dauphinois (pronuncia-se “gratã dofinuá”) é a batata em fatias finas assada lentamente no leite e no creme de leite, numa travessa esfregada com alho e manteiga. Vem do Dauphiné, região dos Alpes franceses, e a receita original não leva queijo: a casca dourada se forma com o próprio creme e o amido da batata.

Gratin dauphinois

  • Rende: 6 porções
  • Preparo: 25 min
  • Cozimento: 70 min
  • Total: 95 min

Ingredientes

  • 1 kg de batata asterix ou ágata
  • 500 ml de leite integral
  • 250 ml de creme de leite fresco
  • 2 dentes de alho
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 pitada de noz-moscada ralada
  • 1 colher de chá de sal
  • Pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de preparo

  1. Preaqueça o forno a 160 °C. Corte um dente de alho ao meio, esfregue no fundo e nas laterais de uma travessa e unte com a manteiga.
  2. Descasque as batatas e corte em rodelas de 3 mm. Não lave as fatias.
  3. Numa panela larga, coloque o leite, o outro dente de alho amassado, o sal, a pimenta e a noz-moscada. Junte as batatas e cozinhe em fogo baixo por 10 minutos, mexendo com cuidado para não grudar.
  4. Acrescente o creme de leite e misture.
  5. Transfira as batatas e o líquido para a travessa, ajeitando as fatias em camadas.
  6. Asse por 1 hora a 1h10, até a superfície dourar e a faca atravessar as batatas sem resistência. Se dourar rápido demais, cubra com papel-alumínio.
  7. Deixe descansar 10 minutos antes de servir.
Travessa de gratin dauphinois com a superfície dourada, ao lado de uma taça de vinho tinto
Foto: Ludovic Péron, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

O que é gratin dauphinois

Gratin dauphinois é um acompanhamento de batatas. As batatas são cortadas em rodelas finas, arrumadas em camadas numa travessa e cobertas com leite e creme de leite temperados com alho, sal, pimenta e noz-moscada. No forno baixo, o amido da batata engrossa o líquido, o meio fica cremoso e a superfície forma uma casca dourada, que é o “gratin” do nome. Dauphinois quer dizer do Dauphiné, a antiga província do sudeste da França que hoje corresponde aos departamentos de Isère, Drôme e Hautes-Alpes, com a cidade de Grenoble.

Como se pronuncia

A pronúncia aproximada é “gratã dofinuá”. Gratin termina em som nasal, sem o “n” pronunciado, e o “oi” de dauphinois soa como “uá”, com o “s” final mudo. No Brasil também se escreve “batata dauphinoise”, que é a forma usada em cardápios da Inglaterra.

A origem: um jantar de 1788

A primeira menção escrita ao gratin dauphinois tem data: 12 de julho de 1788. Nesse dia, o duque de Clermont-Tonnerre, tenente-general do Dauphiné, ofereceu um jantar aos vereadores da cidade de Gap, e o gratin foi servido acompanhando ortolanas, pequenas aves de caça. O duque não inventou o prato: a batata cozida no leite já era comida de camponês nos vales alpinos. O jantar só deixou o primeiro registro dele numa mesa de elite.

Gratin dauphinois leva queijo?

Na receita original, não. É o que separa o gratin dauphinois do gratin savoyard, o da vizinha Saboia, que leva queijo, como o beaufort, e caldo no lugar de parte do creme. Muitos restaurantes acrescentam queijo ralado por cima, e o resultado é gostoso, mas deixa de ser o dauphinois da tradição. A casca dourada vem do creme que reduz e da ponta das fatias que tostam.

Os ingredientes

O preparo explicado

Dois detalhes fazem a diferença. O primeiro: não lave as batatas depois de fatiar. O amido da superfície é o que engrossa o creme; lavando, ele vai embora e o gratin fica aguado. O segundo: as fatias devem ter espessura igual, cerca de 3 mm, para cozinharem no mesmo tempo. Um fatiador tipo mandolina ajuda.

Muitos cozinheiros franceses pré-cozinham as fatias no leite por uns 10 minutos antes de ir ao forno. O leite começa a engrossar com o amido, as batatas ganham sabor e o tempo de forno cai. Depois, tudo vai para a travessa e assa em forno baixo, entre 160 °C e 170 °C, por cerca de 1 hora. O ponto é quando a ponta de uma faca atravessa as camadas sem resistência e a superfície está dourada. Deixe descansar 10 minutos antes de servir, para o creme assentar.

Se o topo dourar antes de as batatas cozinharem, cubra com papel-alumínio. Se o creme talhar, foi forno alto demais ou leite desnatado.

Dá para fazer na air fryer?

Dá, em porção menor, numa travessa pequena que caiba no cesto com folga. Como a resistência fica muito perto do topo, a superfície doura antes de o meio cozinhar. Faça o pré-cozimento das batatas no leite como na receita, cubra a travessa com papel-alumínio e asse a 150 °C por cerca de 30 minutos; depois tire o papel e deixe mais 10 minutos para dourar. Confira o ponto com a faca antes de servir.

Com o que servir

É o acompanhamento clássico de carnes assadas e grelhadas: pernil de cordeiro, rosbife, frango assado, e também de pratos de molho como o boeuf bourguignon. Fica bem ao lado de uma salada verde com vinagrete. Para outro acompanhamento de batata da cozinha francesa, veja o aligot, o purê com queijo de Aubrac, e as batatas sarladaises que acompanham o confit de canard.

Como guardar e reaquecer

O gratin dura até 3 dias na geladeira, coberto. Reaqueça no forno a 160 °C, coberto com papel-alumínio, por 20 a 25 minutos. Dá para montar na véspera já assado e só reaquecer no dia, o que facilita num almoço com convidados. Não congela bem: a batata fica granulada e o creme pode separar. Mais receitas de forno estão na lista de pratos da cozinha francesa.

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