Creme brûlée: a receita original francesa, com e sem maçarico
Publicado em 8 de outubro de 2026
Crème brûlée (pronuncia-se “krém brulê”) quer dizer creme queimado: é um creme assado de gemas, creme de leite fresco, açúcar e baunilha, servido frio, com uma camada fina de açúcar caramelizado por cima. A receita clássica leva 6 gemas para 500 ml de creme e assa em banho-maria, em forno baixo.
Creme brûlée
Ingredientes
- 500 ml de creme de leite fresco
- 1 fava de baunilha (ou 1 colher de chá de extrato de baunilha)
- 6 gemas
- 100 g de açúcar refinado
- 6 colheres de sopa de açúcar refinado ou demerara para a casca
Modo de preparo
- Preaqueça o forno a 150 °C e ferva água para o banho-maria.
- Abra a fava de baunilha, raspe as sementes e leve ao fogo com a fava e o creme de leite até começar a soltar fumaça, sem ferver. Desligue e deixe descansar 10 minutos.
- Numa tigela, misture as gemas com os 100 g de açúcar até clarear, sem bater muito.
- Retire a fava e despeje o creme quente aos poucos sobre as gemas, mexendo sempre. Passe a mistura por uma peneira.
- Distribua nos ramequins e coloque-os numa assadeira. Despeje água quente na assadeira até a metade da altura dos ramequins.
- Asse por 35 a 40 minutos, até as bordas firmarem e o centro ainda tremer levemente.
- Retire do banho-maria, deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos 4 horas.
- Na hora de servir, espalhe 1 colher de sopa de açúcar sobre cada creme e queime com maçarico, grill do forno ou colher de metal bem quente até formar uma casca âmbar.

O que é creme brûlée
Creme brûlée é uma sobremesa de duas texturas: embaixo, um creme liso e firme o bastante para se sustentar na colher; em cima, uma casca de açúcar queimado que se quebra com uma batida. O creme é feito só com gemas, creme de leite, açúcar e baunilha, assado devagar em ramequins individuais. O açúcar vai por cima na hora de servir e é queimado com maçarico ou ferro quente. No Brasil, é comum escrever “creme brulee”, sem acentos, mas o nome francês é crème brûlée.
Muita gente o confunde com o pudim de leite, mas são doces diferentes. O pudim leva leite condensado ou leite, ovos inteiros e calda de caramelo no fundo da forma, e é desenformado. O creme brûlée leva creme de leite e só gemas, não tem calda, é servido no próprio ramequim e o caramelo fica por cima, duro. Se quiser comparar, a receita de pudim de leite está no blog A Cozinha Que Fala.
Creme brûlée é francês? A origem
A receita mais antiga com esse nome é francesa: está no livro Le Cuisinier roïal et bourgeois, de François Massialot, de 1691. Ali o creme era de gemas e leite e o açúcar de cima era queimado com uma pá de ferro aquecida no fogo. A origem, porém, é disputada. Os catalães reivindicam a crema catalana, creme parecido, perfumado com canela e casca de limão, que, segundo eles, já aparece em livros de cozinha medievais da região. Os ingleses têm o burnt cream do Trinity College, em Cambridge, onde a sobremesa foi introduzida em 1879 com o brasão da faculdade marcado a ferro sobre o açúcar.
O doce sumiu dos livros franceses por muito tempo e só virou moda mundial nos anos 1980, quando ganhou os restaurantes, com destaque para o Le Cirque, de Nova York, apontado como um dos que a popularizaram. Hoje é sobremesa obrigatória de bistrô, ao lado da tarte tatin.
Os ingredientes
- Creme de leite fresco: o de garrafa, com 35% de gordura ou perto disso. O creme de leite de caixinha tem menos gordura e o creme fica mais mole.
- Gemas: só as gemas. A clara deixa o creme borrachudo.
- Baunilha: a receita original usa fava de baunilha, aberta ao meio e raspada. Na falta, 1 colher de chá de extrato de baunilha de boa qualidade.
- Açúcar: açúcar refinado no creme. Para a casca, açúcar refinado ou demerara, que caramelizam por igual.
O preparo explicado
O segredo do creme liso é temperatura baixa. Primeiro, o creme de leite é aquecido com a baunilha até quase ferver e descansa para a baunilha soltar o perfume. Depois, entra aos poucos sobre as gemas batidas com açúcar, mexendo sem parar: se for de uma vez, cozinha as gemas. Mexa sem bater forte, para não fazer espuma, e passe pela peneira.
O banho-maria protege o creme. Os ramequins ficam numa assadeira com água quente até a metade da altura, e o forno fica em 150 °C. O ponto é quando as bordas estão firmes e o centro ainda treme como gelatina ao balançar a forma. Assado demais, o creme talha e fica granulado. Depois, pelo menos 4 horas de geladeira: o creme firma no frio.
A casca é feita só na hora de servir. Espalhe uma camada fina e uniforme de açúcar e queime até ficar âmbar escuro. Se o açúcar for queimado com horas de antecedência, a umidade do creme amolece a casca.
Como fazer creme brûlée sem maçarico
Há três jeitos, todos com o creme bem gelado:
- Grill do forno: aqueça o grill no máximo, coloque os ramequins com açúcar na grade mais alta, perto da resistência, e vigie: leva de 2 a 4 minutos e queima rápido.
- Colher quente: o método mais próximo do original de Massialot. Aqueça uma colher de metal grossa, ou uma espátula de ferro, direto na chama do fogão até ficar muito quente e encoste no açúcar. Use pano ou luva, porque o cabo esquenta.
- Caramelo pronto: derreta açúcar numa panela até ficar âmbar e despeje uma camada fina sobre o creme. Endurece em 1 minuto.
Variações
A base aceita outros sabores sem mudar as proporções. Raspas de laranja ou um pouco de licor de laranja no creme quente, café, chá ou chocolate derretido são as versões mais comuns na França. Para o creme brûlée de doce de leite, muito pedido no Brasil, dissolva 150 g de doce de leite no creme quente e reduza o açúcar das gemas para 40 g. Já o “creme brûlée para recheio de bolo” é outro preparo: o creme assado não aguenta ser recheio, então os confeiteiros fazem um creme de baunilha engrossado com amido no fogão e queimam o açúcar só na cobertura do bolo. A crema catalana, a prima espanhola, é feita no fogão com leite, gemas, amido, canela e casca de limão, e não vai ao forno. Para quem quer outra sobremesa clássica francesa, a crepe com açúcar ou a crêpe Suzette, com laranja, são o caminho.
Como guardar
Sem a casca, os cremes assados duram até 3 dias na geladeira, cobertos com filme para não pegar cheiro. Queime o açúcar só na hora. Por levar gemas e creme, não fica fora da geladeira. Como sobremesa depois de um prato de panela, como o boeuf bourguignon ou o coq au vin, é a escolha clássica de bistrô.


