Mousse au chocolat: a receita francesa de chocolate amargo, ovos e nada mais
Publicado em 8 de outubro de 2026
Mousse au chocolat (pronuncia-se “mus ô chocolá”) é a sobremesa francesa feita de chocolate amargo derretido, gemas e claras em neve, sem creme de leite nem gelatina. A leveza vem só do ar das claras. A receita clássica leva ovos crus, por isso grávidas, crianças pequenas e idosos devem preferir ovos pasteurizados ou a versão sem ovo que ensinamos abaixo.
Mousse au chocolat
Ingredientes
- 200 g de chocolate amargo (55% a 70% de cacau) picado
- 30 g de manteiga sem sal
- 6 ovos grandes e frescos, gemas e claras separadas (ou ovos pasteurizados)
- 1 pitada de sal
- 40 g de açúcar
Modo de preparo
- Derreta o chocolate com a manteiga em banho-maria em fogo baixo, sem a tigela encostar na água, ou no micro-ondas em séries de 30 segundos. Deixe amornar.
- Junte as gemas ao chocolate uma a uma, mexendo bem a cada adição até ficar liso e brilhante.
- Em tigela limpa e seca, bata as claras com o sal até formarem picos moles. Junte o açúcar aos poucos e bata até picos firmes e brilhantes.
- Misture um terço das claras ao chocolate com energia, para afinar a massa.
- Incorpore o restante das claras com espátula, em movimentos de baixo para cima, só até sumirem as listras brancas.
- Distribua em 6 taças ou numa tigela, cubra e leve à geladeira por pelo menos 4 horas. Consuma em até 2 dias.

O que é mousse au chocolat e de onde vem
Mousse, em francês, quer dizer espuma. A mousse au chocolat dos bistrôs é exatamente isso: chocolate derretido que recebe gemas para ganhar cremosidade e claras batidas em neve para ganhar ar. Depois de algumas horas na geladeira, a manteiga de cacau firma e prende as bolhas, e a sobremesa fica aerada e densa ao mesmo tempo. É diferente da musse brasileira de caixinha, que leva creme de leite, leite condensado e às vezes gelatina.
A história tem mais lenda do que documento. Em 1755, o cozinheiro francês Menon já usava o nome mousse de chocolat no livro Les Soupers de la Cour, mas na época o termo também designava a espuma das bebidas de chocolate. No século XIX, receitas com chocolate, gemas e creme circularam em livros como o de André Viard. E existe a história, muito repetida, de que o pintor Henri de Toulouse-Lautrec, cozinheiro dedicado nas horas vagas, servia aos amigos uma “maionese de chocolate”. A atribuição é popular, mas não prova a invenção. O que é certo é que, no século XX, a versão com chocolate amargo e ovos virou a sobremesa de bistrô por excelência, ao lado do creme brûlée e das profiteroles.
Ovo cru: quem deve evitar e como fazer sem risco
Na receita tradicional, as claras vão cruas e as gemas só recebem o calor morno do chocolate. Ovo cru pode transmitir salmonela, e é por isso que a Anvisa exige que as embalagens de ovos no Brasil tragam o aviso de que o consumo do alimento cru ou malcozido pode causar danos à saúde (RDC 35/2009). O risco para um adulto saudável com ovos frescos e bem refrigerados é baixo, mas grávidas, crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade baixa devem evitar a mousse feita com ovo cru.
Há dois caminhos seguros. O primeiro é usar ovos pasteurizados, vendidos refrigerados em alguns supermercados, com gema e clara separadas ou inteiros; as claras pasteurizadas demoram um pouco mais para montar, então bata com paciência. O segundo é a versão sem ovo, a mousse de chocolate com chantilly: derreta 200 g de chocolate amargo com 100 ml de creme de leite fresco quente, deixe amornar até cerca de 35 °C e incorpore, com uma espátula, 200 ml de creme de leite fresco batido em ponto de chantilly mole. Fica mais cremosa e menos aerada que a clássica, mas é a que todos à mesa podem comer.
Na receita da ficha, use ovos frescos, guardados na geladeira, com a casca inteira e limpa, e sirva a mousse em até 2 dias.
Os ingredientes que fazem a mousse
Chocolate. É o sabor inteiro, então use chocolate amargo ou meio amargo de boa qualidade, entre 55% e 70% de cacau, em barra. Chocolate fracionado e cobertura sabor chocolate têm gordura vegetal no lugar da manteiga de cacau e não firmam do mesmo jeito. Com mais de 70% a mousse fica intensa e um pouco seca; se usar chocolate ao leite, tire o açúcar da receita.
Ovos. Grandes e frescos. As gemas emulsionam e dão textura de creme; as claras dão o volume.
Manteiga, açúcar e sal. A manteiga deixa a mousse mais lisa e brilhante. O açúcar entra nas claras e ajuda a estabilizar a espuma. Uma pitada de sal realça o chocolate e ajuda as claras a crescer.
O modo de preparo explicado
Derreta o chocolate com a manteiga em banho-maria, com a tigela sem encostar na água e o fogo baixo, ou no micro-ondas em séries de 30 segundos, mexendo entre uma e outra. Chocolate superaquecido fica granulado. Deixe amornar: quente demais, ele cozinha as gemas e derrete as claras; frio demais, endurece em pontinhos ao encontrar as claras.
As gemas entram uma a uma, mexendo bem. Se a mistura engrossar e parecer talhar, junte uma colher de água morna e mexa até voltar a brilhar.
As claras, em tigela limpa e seca, sem nenhum traço de gema, são batidas com o sal até ficarem espumosas e começarem a formar picos moles. Aí entra o açúcar, aos poucos, e se bate até picos firmes, mas ainda brilhantes. Clara batida demais fica seca, empelota e não se mistura.
O segredo está em misturar. Primeiro, um terço das claras é mexido sem cerimônia no chocolate, para afinar a mistura. O resto entra com espátula, em movimentos de baixo para cima, girando a tigela, só até não ver mais listras brancas. Mexer demais derruba o ar. Depois é distribuir em taças e esperar pelo menos 4 horas na geladeira, de preferência a noite toda.
Variações, como servir e conservar
Raspas de laranja e uma colher de licor de laranja no chocolate são a variação mais clássica. Uma colher de café espresso aprofunda o sabor, e flor de sal por cima na hora de servir contrasta com o doce. Para quem gosta das sobremesas de mousse do Brasil, a nossa musse de maracujá no blog A Cozinha Que Fala é o outro extremo: leve, ácida e sem ovo.
Na França, a mousse vai à mesa numa tigela grande, de onde cada um se serve com a colher, ou em potinhos individuais, às vezes com chantilly ou com uma madeleine ao lado. Para beber, um vinho doce natural do Roussillon, como o Banyuls, é a combinação clássica com chocolate; nosso guia de vinhos franceses explica as regiões. Ela é o fecho natural de um jantar de bistrô depois de um steak au poivre ou de um coq au vin.
Guarde coberta com filme na geladeira por até 2 dias. Não congele: as bolhas se rompem ao descongelar e a textura vira creme denso. Para conhecer outras receitas clássicas e as regiões de onde vêm, veja o nosso resumo da cozinha francesa.


