Pot-au-feu: a receita original do cozido francês de carne e legumes
Publicado em 8 de outubro de 2026
Pot-au-feu (pronuncia-se “pô-tô-fê”) quer dizer panela no fogo: é o cozido francês de carnes bovinas e legumes, cozidos por horas em água com ervas. O caldo é servido primeiro, como sopa, e depois vêm as carnes e os legumes com mostarda, sal grosso e picles. A receita clássica mistura três cortes: um magro, um gelatinoso e um com gordura.
Pot-au-feu
Ingredientes
- 800 g de raquete ou paleta em um pedaço
- 800 g de músculo ou ossobuco
- 800 g de costela (ponta de agulha) em pedaços
- 4 rodelas de osso com tutano
- 1 cebola espetada com 3 cravos-da-índia
- 1 bouquet garni (tomilho, louro e salsinha amarrados)
- 10 grãos de pimenta-do-reino
- 1 colher de sopa de sal grosso, mais um pouco para servir
- 6 cenouras inteiras
- 4 alhos-porós em pedaços de 10 cm
- 4 nabos descascados
- 2 talos de salsão
- 8 batatas médias
- Mostarda de Dijon, cornichons e pão torrado para servir
Modo de preparo
- Coloque as carnes (menos o tutano) numa panela grande e cubra com cerca de 4 litros de água fria.
- Leve à fervura em fogo médio e retire a espuma com uma escumadeira por cerca de 20 minutos, até o caldo ficar limpo.
- Junte a cebola com cravos, o bouquet garni, a pimenta em grão e o sal grosso. Cozinhe em fogo bem baixo, com a tampa entreaberta, por 2 horas.
- Acrescente as cenouras, os alhos-porós, os nabos e o salsão e cozinhe por mais 1 hora.
- Passe as pontas dos ossos de tutano no sal grosso e junte à panela nos últimos 20 minutos.
- Enquanto isso, cozinhe as batatas à parte em água com uma concha do caldo.
- Coe parte do caldo e sirva quente, em tigelas, com pão torrado e o tutano.
- Fatie as carnes e sirva numa travessa com os legumes e as batatas, acompanhadas de mostarda, sal grosso e cornichons.

O que é pot-au-feu
Pot-au-feu é o cozido de família da França. Pedaços grandes de carne bovina cozinham devagar em água com cebola, cravo e bouquet garni, e os legumes, como cenoura, alho-poró, nabo, salsão e, em muitas casas, repolho, entram na segunda metade do cozimento. O resultado são dois pratos numa panela só: um caldo claro e perfumado e uma travessa de carnes macias com legumes inteiros. É parente do cozido português e do bollito misto italiano, mas tem jeito próprio de servir.
Tradução e pronúncia
A tradução literal é “pote no fogo”, ou panela ao fogo. O nome vem do caldeirão de ferro ou de barro que ficava pendurado sobre o fogo nas casas do campo, onde se cozinhavam a sopa e a carne do dia. Em francês, a pronúncia aproximada é “pô-tô-fê”: o “t” de pot liga com o “au”, e o “eu” de feu soa como um “ê” com os lábios arredondados. Escreve-se com hífens, pot-au-feu, e o plural não muda.
De onde vem
O pot-au-feu nasceu como comida camponesa: cozinhava-se na panela o que se tinha, sem receita fixa, e o caldo ia sendo completado ao longo dos dias. Com o tempo, foi para as mesas da cidade, fixou-se com carne de boi e legumes da estação e virou um símbolo nacional. A historiadora Julia Csergo, que estudou o prato, descreve justamente essa trajetória, de sopa de pobre a prato que representa a França. É cozinha de inverno, de domingo, para muita gente à mesa.
Os cortes de carne
A regra francesa é misturar texturas. No Brasil, os equivalentes são:
- Magro: o paleron francês, que aqui é a raquete ou a paleta. Fica macio e corta em fatias.
- Gelatinoso: o gîte e o jarret, que são o músculo e o ossobuco. A cartilagem dá corpo ao caldo.
- Com gordura: o plat de côtes, que é a costela, de preferência a ponta de agulha. Dá sabor ao caldo.
- Rabo: a rabada é opcional e deixa o caldo mais encorpado.
- Tutano: o os à moelle, ossos de tutano em rodelas, entra no fim. O tutano se come espalhado no pão torrado com sal grosso.
O preparo explicado
A carne começa em água fria. Assim ela solta sabor para o caldo aos poucos, que é o objetivo do pot-au-feu. Quando a água esquenta, sobe uma espuma cinza: ela deve ser retirada com escumadeira nos primeiros 20 minutos, para o caldo ficar limpo. Depois, a fervura é mínima, com a superfície mal se mexendo, por cerca de 3 horas. Fervura forte turva o caldo e endurece a carne.
Os legumes entram só na última hora, inteiros ou em pedaços grandes, para não desmancharem. Os ossos de tutano vão nos últimos 20 minutos, com as pontas passadas no sal grosso para o tutano não escapar. As batatas cozinham à parte, numa concha de caldo com água: na panela principal, o amido delas turvaria o caldo.
Como servir
Na França, o pot-au-feu é servido em dois tempos. Primeiro, o caldo coado, quente, em tigelas, com pão torrado e o tutano. Depois, as carnes fatiadas e os legumes numa travessa, com os acompanhamentos clássicos: mostarda de Dijon, sal grosso ou flor de sal, cornichons, que são pepininhos em conserva, e às vezes raiz-forte. Para beber, um tinto leve; o nosso guia de vinhos franceses ajuda a escolher.
Pot-au-feu na panela de pressão
Funciona e corta o tempo para cerca de 1 hora. Coloque as carnes em água fria, ferva com a panela aberta e retire a espuma; depois junte a cebola e o bouquet garni, feche e cozinhe por cerca de 45 minutos depois que pegar pressão. Abra, junte os legumes e cozinhe por mais cerca de 5 a 10 minutos na pressão, conforme o tamanho dos pedaços. O caldo sai menos límpido que no cozimento lento.
As sobras e como guardar
O pot-au-feu rende para dois dias, e as sobras têm destino clássico. O caldo vira base de sopa ou de risoto. A carne desfiada vai para o hachis parmentier, gratinado de carne com purê de batata por cima. Guarde carne e caldo separados, na geladeira, por até 3 dias; o caldo congela bem por 3 meses. Quando o caldo esfria, a gordura sobe e endurece em cima, e fica fácil retirar.
Outros cozidos franceses de panela são o boeuf bourguignon, a blanquette de veau e, com peixe, a bouillabaisse de Marselha.


